Com um olhar pluridimensional, pretendo orientar educadores e estudantes neste caminho vivido tão intensamente... um caminho onde se ensina e se aprende em cada momento de vida...este é um convite para conversar sobre educação.
Com um olhar pluridimensional, pretendo orientar educadores e estudantes neste caminho vivido tão intensamente... um caminho onde se ensina e se aprende em cada momento de vida...este é um convite para conversar sobre educação.
«Eu: _Usas o telemóvel nos intervalos para jogar com os amigos?
Estudante: _ sim, jogamos online…
Eu: _ E se jogassem a outras coisas, sem ser com o telemóvel?
Estudante: _Criticam se brincarmos ou jogarmos a outras coisas, chamam-nos de crianças infantis…»
Promover a atitude de brincar ou jogar entre pares (crianças da mesma idade) é fundamental para um crescimento harmonioso… e ouvir estas frases, pela voz de quem cresce, deixa-me bastante triste!
Partir do princípio que os adolescentes só querem estar em frente a um ecrã, não é o pensamento mais óbvio e correto! Na minha opinião, está a insurgir uma cultura juvenil que motiva estes adolescentes e jovens a usarem os telemóveis de forma constante, de tal forma que eles nem questionam sobre as suas preferências de tempos livres, limitando-se a seguir os hábitos dos demais…
Por isso é tão importante que as escolas e as famílias tomem decisões firmes sobre a utilização destes equipamentos… é urgente este desincentivo ao uso das novas tecnologias, de forma constante e exagerada e a promoção de outros hábitos de vida mais saudável e interessante.
Quantas vezes os alunos apresentam queixas sobre a forma como os professores os tratam, ou como os avaliam… ficam frustrados e sentem-se injustiçados com muitas situações que acontecem em sala de aula.
Outras vezes, este sentimento está presente no contexto diário de convívio entre colegas, nos recreios e nas atividades extra curriculares, sentem que não foram compreendidos, que o outro não foi sensível à situação, ou teve uma postura errada!
Quando eles partilham essas situações comigo, explico-lhes que, muitas vezes até podem ter razão… mas a vida é mesmo assim… aprender a conviver e a superar momentos de injustiça ou de incompreensão, por parte do outro, faz parte deste crescer, faz parte desta aprendizagem!
Até porque, também em adultos continuaremos a viver estes momentos e teremos de manter grande maturidade para compreender situações mais complexas, pontos de vista diferentes e opiniões discordantes… e, mesmo assim é necessário manter o mesmo respeito pelos outros…
Portanto, sempre que for possível o aluno pode conversar com a pessoa pela qual sente injustiça, com respeito e tolerância, apresentar o seu ponto de vista e explicar porque sente tal injustiça, revelando tranquilidade e ponderação.
Mas depois… depois é preciso aprender a gerir emoções, aceitar momentos difíceis, compreender que nenhum ser humano é perfeito, nem mesmo o professor/a! E ultrapassar sentimentos de injustiça, porque um qualquer dia serão eles a cometer uma injustiça sem qualquer intenção!
Viver é ter oportunidade para aprender e crescer, é duro, desafiante, mas tem virtude!
Quando falamos sobre escola aos estudantes eles não demonstram muito interessa mas, se estão algum tempo afastados começam a sentir saudades e, claro, sentem saudades dos intervalos e dos recreios… aqueles momentos onde podem conviver com as suas tão valorizadas amizades e até os seus namoros… Os momentos de partilha de experiências, de conversas e brincadeiras animadas. Tudo isso lhes oferece alegria e vontade de ir para a escola.
Com tudo isto quero apenas lembrar o quanto é importante o recreio da escola, o lugar de aprendizagem social e pessoal, primordial na vida de qualquer aluno. Muito de bom e de mau acontece nos intervalos, entre uma disciplina e outra. Desenvolvem-se novas amizades e inimizades, aprende-se a conviver numa sociedade de pares, lida-se com a competição e com as diferenças, aprende-se o valor do respeito e das injustiças. Entre iguais e diferentes, os alunos crescem sozinhos, neste ambiente escolar… desenvolvem as suas próprias ideias e defesas, vincam carácter e personalidade.
Por isso, não é apenas a escola que os faz crescer, o recreio escolar também os faz crescer e é tão importante como uma sala de aula, oferece um lugar de aprendizagem único enquanto momento social, que pode e deve ser valorizado.
Portanto, quando perguntar a um aluno, como foi a escola, pergunte também como foi o recreio… e quando escutar e aconselhar, faça-o da mesma forma para ambos os contextos, a primazia é a mesma… as inseguranças e alegrias são as mesmas! Crescer também é difícil, nos intervalos!