Com um olhar pluridimensional, pretendo orientar educadores e estudantes neste caminho vivido tão intensamente... um caminho onde se ensina e se aprende em cada momento de vida...este é um convite para conversar sobre educação.
Com um olhar pluridimensional, pretendo orientar educadores e estudantes neste caminho vivido tão intensamente... um caminho onde se ensina e se aprende em cada momento de vida...este é um convite para conversar sobre educação.
Aproximam-se dias muito diferentes, para todas as famílias que têm estudantes em casa. Se as crianças de 6 anos, começam o seu percurso escolar, com todas as mudanças que daí advêm, os jovens com 18 anos que agora seguem para o ensino superior também se deparam com um mundo universitário extremamente diferente e que desafios gigantes.
Sabendo claramente que, são mundos completamente diferentes, e que cada ano escolar reserva desafios particulares. Irei partilhar algumas propostas que poderão ser seguidas por qualquer ciclo de ensino, e que serão proposta de ajuda nestas novas rotinas pessoais e familiares.
Preparem e repensem a nova rotina antecipadamente, com um bom planeamento horário e com a aquisição de todos os materiais indispensáveis, porque deixar situações pendentes aumentam a ansiedade de momentos por si stressantes;
Não tentem incluir imensas atividades extracurriculares em simultâneo, com o início das aulas, podem ser muito desgastante procurar responder a tanta novidade;
Antecipadamente estabeleça rotinas para as necessidades, como horários de deitar, acordar, comer… algumas crianças e jovens têm estes horários tão irregulares em tempo de férias que depois demoram imenso tempo a conseguir esta readaptação;
Converse com o estudante diariamente e calmamente, nos primeiros dias de aulas, para perceber e apoiar nas inquietações, adaptações, frustrações e demais aventuras que esta nova etapa oferece;
Faça uma avaliação constante e ao longo de todo o ano letivo, em família, sobre todo este processo e concretize as adaptações necessárias, para apoiar quem cresce.
O percurso nem sempre é como o esperado e desejado… seja carinho, tranquilidade e cuidado… restruturar expectativas também faz parte de crescer!
Quando acontece o último dia de aulas, os alunos sentem que não existe mais nenhuma obrigação a partir daquele dia… só pensam em descansar e aproveitar os dias sem fazer nada que exija empenho ou responsabilidade.
Todos concordamos que uns dias de descanso, quando o esforço em tempo de aulas foi contínuo, é mais do que merecido. Mas, alguns dias depois estes alunos já têm todas as suas energias repostas e equilibradas, portanto, algumas exigências terão de ser colocadas em prática:
Respeito pelos horários impostos pela família: para que os elementos da família consigam se encontrar à mesa, realizarem algumas atividades em conjunto e tenham momentos de diálogo;
Apoio a todas as atividades domésticas: para que ninguém tenha de ficar sobrecarregado com tarefas, enquanto outros elementos descansam;
Cumprir algumas horas de estudo: porque as férias de verão são demasiado longas e muitos saberes caem em esquecimento;
Evitar longos períodos de tempo em frente a ecrãs: em nada promove o desenvolvimento humano, antes pelo contrário;
Respeito pelas decisões e acordos tomados em família: só assim se demonstra maturidade e crescimento;
Já me cruzei com milhares de estudantes, das mais variadas idades, ao longo de todos estes anos de vida e trabalho… e todos são diferentes, até na forma como aproveitam as férias é algo diferente.
Existem aqueles que nunca saíram do país, em lazer, mas que viajam muito no seu país;
Existem aqueles que viajam imenso, dentro e fora do país;
Existam também os que muito raramente viajam, mesmo nas férias mais longas;
Claro, que isto está diretamente ligado às condições económicas e sociais das suas famílias, raramente é apenas uma questão de opção. Mas nada disto me preocuparia se, viajar dentro ou fora do país não trouxesse realmente francas aprendizagens, principalmente, a partir da adolescência, quando estes já são capazes de guardar na memória as experiências completas que daí advêm…
Estas aprendizagens são importantes para a vida, não apenas de forma pessoal. Podem trazer outros saberes a serem considerados até no momento de fazer uma ficha de avaliação, ou um trabalho escolar… são saberes que fazem crescer, desenvolver, conhecer… e que infelizmente, nem todas as famílias podem proporcionar, embora exista imensa vontade…
Mas esta não me parece ser a única forma de desigualdade, em tempos de férias. Por exemplo, nos primeiros anos em que se aprende a ler e a escrever… as famílias que não proporcionam momentos de leitura e escrita, que não relembram estas aprendizagens formais, ou que não oferecem um lugar de estudo, mesmo que sejam apenas umas horas semanais. Facilitam o esquecer de tais competências, porque são dois a três meses sem a prática que estas aprendizagens exigem. É certo que as crianças precisam de descansar e de brincar, mas tanto tempo longe de livros e cadernos pode ser prejudicial.
Por estas razões, faz sentido concluir que as férias podem contribuir para as desigualdades de aprendizagem…. Concordam???
Com o passar dos anos, para mim, tornou-se mais evidente a dificuldade em que se torna a disciplina de matemática, e mais claro que não é porque seja uma disciplina de enorme dificuldade, mas devido aos medos e inseguranças que esta desperta em quem estuda.
Este crescer de inseguranças, de ‘eu não percebo nada disto’ e do ‘isto é muito difícil para mim’ é o maior de todos os problemas. Esta constante negação torna os alunos desatentos, desmotivados e desistentes.
Depois, quando a situação se torna mais grave, porque as negativas surgem de forma constante e as famílias consideram que o melhor é recorrer a apoios e às explicações, o sentimento de incapacidade já se instalou de tal forma que, o estudante mostra muita resistência em assumir as suas capacidades e nenhuma vontade de querer desenvolver muito estudo na matéria.
Portanto, na minha opinião, não existe nenhum elixir para se ser bom a matemática, mas nunca se pode permitir o total desinteresse, ou o transformá-la num ‘monstro escolar’. É necessário agir antes de que isso aconteça e, muitas vezes, significa começar no 1º ciclo!