Com um olhar pluridimensional, pretendo orientar educadores e estudantes neste caminho vivido tão intensamente... um caminho onde se ensina e se aprende em cada momento de vida...este é um convite para conversar sobre educação.
Com um olhar pluridimensional, pretendo orientar educadores e estudantes neste caminho vivido tão intensamente... um caminho onde se ensina e se aprende em cada momento de vida...este é um convite para conversar sobre educação.
Ser pai ou ser mãe é uma angústia constante que não termina, nem quando a criança faz 40 anos!!!
As famílias vivem angustiadas com os perigos que os mais pequenos possam enfrentar, vivem preocupadas com o futuro dos filhos, vivem inseguras com os namoros, as amizades, os lugares e as festas…
Percebo perfeitamente todas estas inseguranças e preocupações constantes, mas não permitam que isso vos retire a experiência plena dos momentos! Porque muitas dessas vivências e experiências fazem parte do crescimento, não é possível proteger de tudo e, além disso, crescer é difícil, traz sorrisos e lágrimas, traz marcas no joelho da queda, mas ensina a levantar, de novo e de novo!
Portanto, prezados pais, aproveitem mais cada momento com os vossos filhos, desfrutem de todos os momentos, porque muitos deles são únicos… o tempo passa a correr e para quem cresce o tempo é ainda mais rápido.
Há sempre uma nova etapa, umas novas fases, com desafios novos e diferentes, aprendem os pais e aprendem os filhos, fazem uma caminhada lado a lado, cada um com o seu papel…
Ainda há pouco tempo escrevi sobre os dramas dos ecrãs em tempo de férias… pois não poderia deixar de partilhar mais esta opinião sobre as novas tecnologias e meios de comunicação.
Reflitamos sobre um diálogo entre mim e um/a estudante de secundário:
«Eu: _ Agora ainda há bullying como antigamente… não sei se ainda será igual…?
Estudante: _ Não tanto, agora é mais pelas redes sociais, por exemplo, alguém coloca uma fotografia e a outra pessoa vai lá criticar e escreve coisas horríveis… mas depois, no dia seguinte, na escola, é como se não se tivesse passado nada, essa pessoa finge que não escreveu nada…
Eu: _ Ou seja, escondem-se atrás do ecrã?!
Estudante: _ É isso!»
Por este exemplo percebemos o quanto estas redes sociais podem danificar relações de amizade e danificar até a própria autoestima, numa idade em que cada palavra e cada gesto importa!
Para além deste ciberbullying, estas redes sociais levam as pessoas a sentirem o ‘estou bem onde não estou’, porque nestas redes só se encontra o melhor da vida dos outros, tudo foi previamente selecionado e filtrado, como se a vida dos outros fosse sempre perfeita e a nossa horrível…
Pois bem, se mesmos os adultos têm de conseguir gerir este impacto que as redes sociais têm nas suas vidas, muito mais difícil será para um adolescente/jovem fazê-lo… se ninguém ajudar, orientar, explicar, ensinar…
Fica aqui o alerta… este ensino não acontece nas escolas, nem vem nos manuais… é preciso encontrar outras formas de ensino/reflexão!
Pedir aos adolescentes e jovens que passem parte das suas férias de verão sem ecrãs pode ser dramático, se estes estão integrados em outros momentos de lazer, como campos de férias, ATL’s, etc, facilmente se esquecem dos telemóveis ou da TV. Contudo, se estão em casa, com menos atividades propostas, menos regras impostas e menor convívio social, será bastante normal que exijam ter um desses equipamentos, na maior parte do tempo.
De facto, para as famílias isto é bem mais do que um tema complicado, é um pesadelo familiar, são discussões e pontos de divergência de difícil resolução.
Não venho aqui fazer um ‘milagre’ nas propostas que deixo. Venho apenas alertar para esta necessidade de desligar adolescentes e jovens destes ecrãs, nestes momentos de férias e, para ajudar, deixo algumas propostas:
Combinem em família horas em que todos desligam e guardam os telemóveis;
Limitem horas permitidas para cada equipamento;
Definam outras tarefas a serem realizadas em grande parte do dia, em que o estudante está mais sozinho, não há problema algum que tenha de cozinhar e fazer tarefas domésticas;
Desaconselha-se Tv’s, telemóveis ou tablet’s no quarto;
Penalize comportamentos não autorizados;
Ofereça momentos ao ar livre e em convívio com pessoas da mesma faixa etária, regularmente;
Use as aplicações de controlo parental em todos os equipamentos utilizados por eles.
Se as regras forem exigidas sempre e sem exceções, estes adolescentes e jovens entenderão facilmente que, de nada lhes servirão os momentos dramáticos!
Algumas famílias têm a oportunidade de passar alguns dias de férias fora de casa, seja nacional ou internacionalmente. Para os que podem proporcionar esta experiência a quem cresce, relembro que os mais pequenos (dependendo da idade) podem sempre contribuir para este momento e, em simultâneo concretizar várias outras aprendizagens não formais, que a escola não consegue facultar. Portanto:
Ajuda a crescer:
_ comunicar em inglês, ou noutra língua local: é a forma mais fácil de aprender novas línguas;
_ escolher os lugares prévios a visitar e fazer uma contextualização cultural;
_ fazer as malas e definir o que realmente é necessário;
_ apoiar na gestão financeira (antes e durante a viagem);
_ aprender a respeitar a diferença e conhecer novas culturas;
_ sentir-se responsável pelo meio ambiente e pelo outro;
_ conviver com pessoas novas e criar outras amizades;
_ desenvolver novas capacidades de orientação;
_ experimentar climas, costumes, tradições e alimentação diferentes;
A palavra para designar o conjunto de pessoas que vivem com o estudante foi muito refletida, antes de a usar aqui no blogue. Optei pela palavra: Família, em vez de utilizar a palavra: Pais. Porque, ao longo destes anos de experiência, percebi que o conceito de Família para uma criança/adolescente é muito mais do que os Pais… hoje em dia, os estudantes vivem em famílias monoparentais, vivem em famílias com madrasta/padrasto, vivem com avós, ou em casas de acolhimento… e isso não faz destes estudantes diferentes, muito menos inferiores.
A Família são aquelas pessoas que moram no coração de quem cresce, quem dá carinho, atenção, cuida, protege e, para mim só isso importa. Quem acolhe e constrói felicidade!
Portanto, quando encontrarem este conceito, aqui no Educa(Com)Vida, sintam todas as famílias incluídas, basta terem esses belos adjetivos… é para essas pessoas que escrevo, que dou dicas, orientações e propostas, para todas elas, sem exceções nem curtas definições...
Família é amor…ou então não é família, é parentesco!!!