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Educar (Com)Vida

Com um olhar pluridimensional, pretendo orientar educadores e estudantes neste caminho vivido tão intensamente... um caminho onde se ensina e se aprende em cada momento de vida...este é um convite para conversar sobre educação.

Com um olhar pluridimensional, pretendo orientar educadores e estudantes neste caminho vivido tão intensamente... um caminho onde se ensina e se aprende em cada momento de vida...este é um convite para conversar sobre educação.

Conto de Natal

2021

Mais um ano em que os/as bloggers são desafiados/as a escreverem o seu Conto de Natal… mais um ano que aceito o desafio vindo da nossa blogger imsilva, com imenso carinho!

Cá fica o Conto de 2021… Boas leituras!

A Escolha do Presente

Estávamos na última semana de aulas… o último teste tinha sido hoje e a Filipa aproveitava para descansar, no seu quarto, antes do jantar.

Com o dedo indicador fazia rolar o seu Instagram, prestando pouca atenção ao que por ali estava publicado. Queria pensar em algo que a animasse: os presentes de Natal!!!

Já andava no 10º ano e a família tinha por hábito permitir que fosse ela a fazer uma seleção das prendas que iria receber. Isso deixava-a muito contente… assim não recebia coisas que não interessavam ou que não gostava. Portanto, a menos de duas semanas do Natal, a lista de presentes era algo urgente a pensar e a definir. Até porque já lhe tinham feito a pergunta de sempre:

_ Já sabes o que vais querer neste Natal?

A Filipa tinha imensa sorte, vivia numa família com estabilidade financeira, não precisava de estar muito preocupada com os preços. Mesmo objetos mais caros, os pais ou os padrinhos, faziam um esforço para lhe conseguirem satisfazer o pedido.

Enquanto rolava pelas imagens e vídeos… pensava e pensava:

_ Se pedisse um novo telemóvel?! Mas este tem menos de um ano, e o mês passado comprei-lhe várias capas fantásticas!! É melhor pensar em outra coisa!! _ Enquanto pensava, olhava para a hoverboard encostada ao canto da secretária. Tinha recebido esse equipamento no Natal anterior, partiu um braço com aquele ‘objeto maluco’ e nunca mais teve a coragem de lá se empoleirar de novo.

_ Tablet já tenho e computador portátil também… tudo a funcionar bem! E que tal um relógio destes que medem passos e calorias? – Pensou e decidiu: _ Nããooo… nunca uso essas coisas.. era para guardar na gaveta, como um que recebi na Festa da Comunhão, há séculos!

E quanto mais pensava, mais difícil ficava… Não valia a pena pedir roupa, ou calçado, porque sempre que queria ou precisa os pais compravam, não era necessário esperar  por uma data específica. Não jogava muito, até mesmo a playstation estava na arrecadação, junto com outros jogos e brinquedos que nem dava valor. Preferia fazer convívios com amigos, ouvir música e dançar!

_ Um bilhete para um qualquer concerto? _ Parecia uma boa ideia, mas não se lembrava de nenhuma banda que viesse a Portugal, nos próximos tempos, e que lhe agradasse.

O pensamento profundo foi-lhe retirado quando a chamaram para o jantar. E a Filipa lá foi, dececionada por não estar a conseguir decidir-se.

Depois do jantar a jovem voltou para o quarto, já chateada por não conseguir pensar numa prenda de Natal decente! _ Bem, nem acredito, vou perder uma oportunidade de receber um presente fixe, porque estou sem ideias!!! Nem estou a acreditar!?

Mais dias se passaram…

 

Faltava só alguns dias para o Natal e a Filipa estava imensamente chateada… aborrecia-se facilmente e respondia mal a toda a gente. Quando o pai lhe perguntou se já tinha preparado a sua lista de presentes, foi até mal educada na sua resposta…

_ Não merecias receber nada! _ disse o pai, extremamente ofendido com tal resposta. _ Não percebes a sorte que tens!

 Nessa mesma noite, a Filipa teve um pesadelo:

Sonhava que o pai lhe estava a explicar que tinham ficado muito pobres… assim, de uma hora para a outra… que não ia haver dinheiro para presentes… e talvez nem houvesse dinheiro para comida, nem para a ceia de Natal, nem para os dias seguintes… a situação era trágica!

_ Vamos levar-te a ti e à tua irmã para um orfanato! Lá terás o que comer e o que vestir…

Foram estas as últimas palavras do pai que fizeram a Filipa acordar com um grito de desespero.

_ Nãããããoooo!!!

A Filipa estava acordada e ofegante _ Que pesadelo!!! Foi mesmo horrível!! Eu ia perder as minhas coisas, a minha família… o pior pesadelo de sempre, pensou!!!

Ao longo do dia, a Filipa só pensava no facto de não ter lista de presentes e naquele pesadelo. Tudo estava muito confuso na sua cabeça…. Um dia de férias que deveria ser fantástico, estava a ser angustiante pela confusão de emoções que estava a sentir! Não sabia o que fazer para que aqueles dias de Natal e Ano Novo se transformassem na magia que viveu, em anos anteriores… Faltava alegria… faltava a emoção e a surpresa!!

 

 

Por entre mil e um pensamentos, surge uma decisão repentina que transformou todo o sentimento de Filipa:

_ Para problemas profundos: decisões radicais! _ Tenho tudo o que quero… tenho coisas a mais que já não quero e, neste momento, existem crianças e jovens que queriam apenas metade do que tenho… e que muito desejavam ter uma família… o mais importante de tudo e que, às vezes, também não têm…

Com este pensamento a Filipa começou a agir… sabia o que tinha a fazer e tinha pressa… muita pressa… o Natal era daqui três dias!

Abriu a porta da arrecadação e começou a selecionar objetos… um saco para brinquedos, um saco para jogos… um saco para roupas…

_ Que estás a fazer, Filipa? _ Questionou o pai que ouviu alguns barulhos vindos de um lugar onde, praticamente, ninguém ia…

_ Oh pai, lembraste daquela instituição aqui da cidade, que acolhe crianças sem família?

_ Como assim? Estás a falar de quê?

_ Oh pai… aquele lugar com crianças… eu fui lá, com a catequese… há alguns anos… lembraste?

_ Sei lá do que estás a falar! Já não vais à catequese há tanto tempo! Queres voltar para a catequese??!!! Não estou a perceber?! _ interrogou o pai, completamente espantado com tal conversa!

_ Agora que falas nisso… não sei… boa pergunta!!! Mas agora não posso pensar nisso… Bem, deixa lá, vou pesquisar na internet, não deve ser difícil de encontrar!

Passaram-se horas até que a Filipa fizesse a sua seleção.

Dois sacos estavam cheios com roupas em muito bom estado, mas que já não usava, porque já não serviam, ou já não gostava. Vários brinquedos e jogos, esquecidos por anos, foram cuidadosamente colocados numa caixa para facilitar o transporte.

_ Ah!! Falta aquela hoverboard assustadora e…. a playstation??!!!… sim, não me vai fazer grande falta… _Pensou a Filipa, em voz alta!

_ Estás a falar com quem? _ Perguntou a sua irmã, com 8 anos. _ Essas coisas todas são para quê? Vais deixar isso aqui no meio do corredor? O pai mata-te!!!

_ Não vão ficar aqui porque são para dar! _ Respondeu rapidamente Filipa, enquanto continuava a organizar sacos e caixas.

_ Como assim!!??? _ Aproximou-se o pai, ao ouvir a conversa das irmãs.

_ Sim pai… é como ouviste… Eu nem me lembrava que existem crianças a precisarem de todas estas coisas que eu não quero e já não uso!

_ Não vais dar isso, Filipa!!! Tem aí coisas muito caras! _ afirmou o pai.

_ E depois? Eu não uso! Não foste tu que me proibiste de andar na hoverboard, depois daquela queda? _lembrou a Filipa!

_ Sabes quanto isso custou? Andei a gastar dinheiro a comprar tudo, porque tu pediste, se bem te lembras! … vai  lá arrumar isso! _ ordenou o pai, já chateado, deixando-a sozinha.

A Filipa acabou por levar todos os sacos e caixotes para o carro do pai. Sem dar importância à sua ordem!

 

Um pouco mais tarde, foi à procura dele. Encontrando-o na sala, com o tablet na mão.

_ Já sei qual é a minha prenda de Natal. _disse a Filipa.

_ E qual é? _ perguntou o pai, já a estranhar tudo aquilo.

_ Posso pedir o que quiser, como nos anos anteriores, certo?

_ Sim… _ confirmou o pai, a medo!

_ Então, quero que amanhã me leves a esta Instituição, aqui na cidade… _ entregou o telemóvel ao pai _ tens aí a morada.

_ Como assim? _ disse o pai… _ E o presente?

_ Ainda não percebeste, pai? Não quero receber, quero dar presentes… Este ano eu vou levar os presentes para alguém…

_ Isso não é assim, Filipa… não podes chegar lá assim… só porque te deu agora para seres o Pai Natal!!!

_ Neste caso: a Mãe Natal… _ sorriu e acrescentou: _Posso sim… Eu já liguei para lá e perguntei! Falei com a Drª Alice, que me disse ser a responsável da Associação, combinei com ela amanhã, às 10h.

_ Tens a certeza do que queres fazer? _ o pai olhava para a filha como se não a conhecesse…

_ Sim! Claro que sim!

_ E os teus presentes, relembrou o pai? Vais abdicar de os receber?

_ Já te disse pai… não quero…não preciso! Aliás, andei dias a pensar nisso e não me surgiu nada e isso estava-me a deixar bem chateada… mas agora já não… já decidi… e sinto-me bem melhor, acredita! Acho que só assim vou ficar feliz, neste Natal!

_ Ok… a que horas, mesmo? _ perguntou o pai, completamente perdido em pensamentos! A filha estava a ter uma atitude tão nobre, que nem ele acreditava…

_ Às 10h. Obrigada, pai!. _ A Filipa ia já a sair da sala, quando o pai a chamou:

_ Filipa… Estás a ficar crescida! Essa atitude deixa-me muito orgulhoso… Acompanho-te, amanhã, nessa entrega de presentes, com muito orgulho!

 

Ao chegar a manhã do dia seguinte, Filipa levantou-se com entusiasmo. Chegou à cozinha e encontrou toda a família a tomar o pequeno almoço:

_ Pai, vamos??? _ perguntou ela, às pressas.

_ Calma…ainda são 8h! Prepara o teu pequeno almoço e come… reforça bem essas energias porque parece que vais precisar! _ Sorriu o pai.

_ Filipa!!! Eu também quero ir. _ Falou a sua irmã, ainda despenteada e vestida com o pijama de unicórnio.

_Queres ir? Fazer o quê? _ Estranhou Filipa!

_ Tenho peluches e brinquedos que não preciso, também quero oferecer… também quero fazer de Mãe Natal. _respondeu-lhe ela.

_ Calma lá… _ interrompeu o pai. _ O Pai Natal vou ser eu e não há discussão sobre o assunto… essa vai ser a minha oferta, já fui buscar o fato de Pai Natal que usava quando vocês eram bem pequenas e vou vestido a rigor… vocês podem ser as minhas renas… Oh! Oh! Oh!

Ouviu-se uma gargalhada geral, que animou toda a casa, em vésperas de Natal!

Eram 9h e já ninguém aguentava mais esperar! Lá partiram à aventura…

Quando os três chegaram, foram recebidos pela Dr.ª Alice, com um enorme sorriso e um grande abraço.

Depois de um agradecimento sincero, por parte da diretora – Dr.ª Alice – foi-lhes explicado que viviam ali crianças de várias idades, desde bebés com alguns meses, até crianças com 11 ou 12 anos, rapazes e raparigas. Portanto, todos os presentes que chegavam para tais idades eram bem vindos, assim como outros produtos: alimentares, de higiene, etc… que auxiliassem o cuidado àquelas crianças.

Depois de ouvirem, atentamente, toda aquela explicação. A Filipa, o pai e a irmã, perguntaram se era possível entregar os presentes pessoalmente, fazendo-se passar pelo Pai Natal com as suas duas renas.

Esta ideia tão divertida foi bem recebida pela Dr.ª Alice que se prontificou a colocá-la em prática!

E, em plena manhã de véspera de Natal, o Pai Natal e as suas renas entraram naquela Instituição, com sacos cheios de presentes…

A alegria foi imensa: a Filipa ajudou a ligar a playstation, a irmã fez novas amizades, enquanto distribuía peluches e brinquedos. O pai ajudou alguns meninos e meninas a experimentarem a hoverboard e esteve atento para que todos recebessem objetos de que gostassem muito.

O tempo voou… as horas pareciam minutos… a alegria era imensa, para quem oferecia e para quem recebia, não só os presentes, como as presenças!

Era preciso fazer uma pausa para almoçar… e, portanto, era necessário fazer a despedida, mas…

Ninguém voltou sem a promessa de regresso, já nas próximas férias de Carnaval… para brincar… para conversar… para partilharem sorrisos e belos momentos!

Para a Filipa era, sem dúvida, o melhor presente de Natal que alguma vez recebera!

 

Fim

versão PDF: 

Conto de Natal_2021.pdf

contos histórias (1).jpg

 

 

2 comentários

  • Imagem de perfil

    Maribel Maia 17.12.2021

    Que bom!!! Que esta mensagem de partilha se espalhe.... principalmente pelos mais novos!!!
    Beijinhos
  • Comentar:

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