Com um olhar pluridimensional sobre a EDUCAÇÃO, pretendo orientar educadores e estudantes neste caminho vivido tão intensamente... um caminho onde se ensina e se aprende em cada momento de vida... este é um convite para conversar sobre educação.

05
Dez 16

Nos primeiros anos escolares, em que a criança inicia o desenho das letras e dos números, seja na escola, como em casa, nessa altura deverá existir muito cuidado no aperfeiçoamento desta destreza, de forma a que, os estudantes mantenham cuidados e atenção na forma de escrever com letra legível. Por vezes neste processo, a determinada altura, alguns estudantes parecem demonstrar incapacidade de melhorar a sua qualidade de escrita, e esta vai permanecendo deficiente, com letras desproporcionais, desregular… ao que muitas pessoas apelidam de ‘letra feia’.  Investigadores nesta área intitulam esta situação como podendo ser um caso de Disgrafia, ou seja, uma perturbação funcional que afeta a qualidade da escrita, no elaborar do traçado da grafia, isto é ‘Um desvio da grafia’.

 

Assim sendo, a disgrafia é uma perturbação específica de aprendizagem que afeta a caligrafia e a qualidade da escrita, surgindo:

 

  • letras irregulares e disformes,
  • dificuldades na capacidade em compor textos escritos,
  • dificuldade em colocar pontuação e dissociar parágrafos,
  • dificuldade em posicionar ou pressionar o lápis,
  • colocação de letras desligadas ou sobrepostas,
  • textos fora das linhas e das margens…

 disgrafia.jpg

Sobre a Disgrafia gostaria ainda de acrescentar, esta perturbação é diferente da dislexia, portanto não devem ser confundidas  e, podem estar presentes uma sem a outra.

Para saber mais, esteja atento a este Blogue….   

 

 

 

publicado por Maribel Maia às 14:28

24
Out 16

Sendo a dislexia uma dificuldade de aprendizagem, trará, ao estudante, dificuldade em manter boas avaliações. Por vezes  estes baixam os resultados escolares em várias disciplinas devido aos erros ortográficos e demonstram mais dificuldades em compreender questões e interpretar problemas.

Tal como já referi, torna-se imprescindível que a comunidade escolar se apresente cada vez mais disponível e sensível para este tema.

Para além disto,  aos educadores/pais/explicadores cabe oferecer um apoio maior e individualizado a estes estudantes, que deverá passar por:

  • Conversar com o estudante sobre o tema e desmistificar receios;
  • Corrigir todos os erros ortográficos de todo o caderno diário e de todos os escritos produzidos pelo estudante;
  • Promover momentos de treino da escrita, constantemente;
  • Incentivar à leitura e interpretação de textos e obras literárias;
  • Reler perguntas e problemas em alta voz para apoiar a compreensão destas;
  • Dedicar momentos especiais ao estudo ortográfico;
  • Utilização de métodos multissensoriais;
  • Incentivos positivos;

 

Para além de todas estas particularidades, não nos podemos esquecer que, um estudante disléxico necessita de um maior esforço para estudar e melhorar a sua escrita, portanto é desejável o incentivo e a constante motivação para tal.

dislexia-no-cerebro.jpg

 

publicado por Maribel Maia às 10:43

20
Out 16

A dislexia deixa alguns sinais de alerta nos estudantes de tenra idade, contudo, estes podem ser fonte de inquietação para os educadores, em qualquer idade ou nível escolar.

No 1º ano podemos perceber alguns destes sinais de alerta:

  • Dificuldade em associar letras a sons;
  • Dificuldade em ler monossílabos ou soletrar palavras simples;
  • Recusa de concretizar tarefas de leitura;
  • Lentidão e necessidade de apoio na realização dos trabalhos escolares;
  • Histórico familiar de dislexia.

 

Sinais de alerta, nos anos escolares seguintes:

  • Necessidade de soletrar palavras novas, ou com fonemas e sílabas semelhantes;
  • Na leitura, omissão de sílabas ou palavras, ex: biblioteca/ bioteca;
  • Maior facilidade em ler em contexto do que ler palavras soltas;
  • Dificuldade em ler e interpretar problemas matemáticos;
  • Dificuldade em terminar fichas de avaliação no tempo previsto;
  • Erros ortográficos frequentes;
  • Caligrafia imperfeita;
  • Escrita em espelho;
  • Evita ler e escrever.

 

Se revemos alguns destes sinais de alerta, ou outros, que nos inquietem para a possibilidade do estudante estar perante a dislexia, torna-se necessário concretizar um diagnóstico que despiste tal situação. Este diagnóstico é produzido com base na história familiar e clínica, em testes psicométricos, em testes de consciência fonológica, de linguagem, de leitura e da ortografia, e deve ser concretizado por profissionais especializados.

dislexia-exemplo.jpg

 

publicado por Maribel Maia às 13:49

17
Out 16

Diálogo entre mim e um/a estudante de 3º ciclo:

«Eu:_ Tiras boas notas?

Estudante: _ Podia ser melhor se não fosse esta coisa chamada dislexia.»

Eu: _ Achas que esse problema interfere muito com o estudo?

Estudante: _ Pois?…»

 

Já aqui falei, em publicações anteriores, de Necessidades Educativas Especiais e a dislexia insere-se neste contexto, pois interfere com a capacidade de aprendizagem, dos estudantes ao longo de toda a vida.

A dislexia define-se como «(…) uma incapacidade específica de aprendizagem, de origem neurobiológica. É caraterizada por dificuldades na correção e/ou fluência na leitura de palavras e por baixa competência leitora e ortográfica (…) que pode impedir o desenvolvimento do vocabulário e dos conhecimentos gerais» (Associação Internacional de Dislexia).

Ao longo do meu percurso apoiei alguns estudantes com este diagnóstico, contudo nem sempre senti o apoio necessário, por parte das suas escolas, na sensibilização de uma avaliação adaptada a esta situação, esta inquietação também é refletida pela Especialista em Dislexia Drª Paula Teles que afirma: «no nosso país o Decreto-lei 3/2008, aplica-se às crianças com necessidades educativas especiais, mas não faz qualquer referência em relação à metodologia reeducativa a adotar. Na grande maioria dos casos os alunos dependem da “benevolência” dos professores, desculpando a falta de correção, a fluência leitora, a limitação vocabular, os erros ortográficos...» (In Revista Portuguesa de Clínica Geral: 2004). Fica portanto, aqui, um alerta a toda a comunidade escolar para se pensar em novos métodos de apoio e intervenção.

Por toda esta complexidade, pretendo dar continuidade a este tema, nos próximos artigos…

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publicado por Maribel Maia às 14:26

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